Shigueru na Folha de São Paulo

Shigueru é atração noite adentro

Chefiada por sushiman carismático, casa oferece variedade de ingredientes até a madrugada

JOSIMAR MELO
CRÍTICO DA FOLHA

Um sushiman simpático e carismático, que nos últimos anos vinha cativando a clientela na Vila Madalena, estreia agora no Itaim Bibi. Na Vila, ele oficiava no restaurante Tanuki (que segue existindo). Já o novo endereço tem seu nome: Shigueru.
Nascido no Japão, Shigueru Hirano, 57, chegou ao Brasil criança, mas sempre manteve os vínculos com seu país. Ele trabalha desde os 23 anos em restaurantes e foi aprendendo o ofício sozinho, observando seus chefes e colegas de trabalho.
Depois de muitos anos no Rio, em 2004 ele veio instalar-se em São Paulo, quando abriu o Tanuki.
A nova empreitada conta com um novo participante, Roberto Hirano Yamamoto, 41, cujo pai era grande amigo de Shigueru.
O sócio é o responsável pela parte administrativa e financeira e sempre atuou em restaurantes, ramo de sua família há muitos anos -nos últimos oito trabalhou no Tako, na Liberdade.
O Shigueru abriu as portas há um mês e escancara uma característica atraente: o horário boêmio. Aberto até as 2h ou as 3h, torna-se alternativa para um sushi tardio -não são muitas na cidade.
Para o Shigueru, onde deve ficar preferencialmente, embora mantendo participação no Tanuki, o chef trouxe uma das características que o tornaram conhecido: o fato de utilizar ingredientes pouco difundidos (ao menos à época) na composição de sushis originais.

BOA VARIEDADE
No Itaim, há o investimento nos menus-degustação, compostos principalmente de sushis e sashimis, em boa variedade.
Nessa parte do menu pode haver um delicioso king crab (de verdade, não kanikama), um enrolado de fígado de tamboril chamuscado com agulhão, mas também, com menos graça, um enrolado de atum com ovas negras e gema de ovo de codorna que mal cabe na boca, menos ainda consegue mesclar lá dentro os sabores.
Aos crus se acrescenta um carpaccio de peixe (por exemplo, garoupa e salmão, finalizados com um fio de azeite), o dobin mushi (caldinho leve servido em chaleirinha de porcelana, com camarão, peixe e frango), um peixe grelhado (ou mariscos brancos na concha, estes duros e sem frescor).
E, se você tiver cara de japonês, recebe um prato de arroz e enguia sobre os quais se despeja chá verde, final refrescante para a refeição.
Fora do menu-degutação há todo o cardápio habitual -tempura, teppan, sukiyaki, várias opções de domburi-mono (cozido adocicado servido sobre arroz, acompanhado de missoshiru e conserva de legumes). E, no almoço, as opções executivas, como os vários bento-box, compostos por arroz, legumes, verdura e peixes ou carnes que podem ser crus, empanados ou feitos na chapa.
Mesmo que ainda não esteja totalmente afinado, a variedade de ingredientes e a oportunidade de encontrar pratos (ou mesmo sushis) diferentes, mas sem delírios “inventivos”, já fazem do Shigueru uma atração -noite adentro, inclusive.

josimar@basilico.com.br

LEAVE A REPLY